Domingo, Fevereiro 18, 2007

Ilustrações animadas
Leonardo da Vinci

Falei nele no post anterior e agora deixo aqui alguns dos seus esboços mas com animação. Se querem ver algo de FANTÁSTICO podem dar uma espreitadela, é uma das minhas mais recentes descobertas.

http://www.vam.ac.uk/vastatic/microsites/1384_leonardo/animated_illustrations/
Fábulas de Leonardo da Vinci

"A Figueira
Era uma vez uma figueira que não dava figos. Toda a gente que passava perto nunca olhava para ela.
Na Primavera nasciam-lhe folhas, mas, no Verão, quando as outras árvores se carregavam de frutos, nos ramos de figueira não aparecia nenhum figo.
- Gostava tanto que os homens me elogiassem – suspirava a figueira –Bastava que eu desse frutos como as outras árvores.
Então, num certo Verão, também ela apareceu carregada de frutos. O Sol fê-los crescer. Amadureceu-os e deu-lhes um doce sabor.
Os homens repararam nela. Nunca tinham visto uma figueira com tantos figos. Apostaram entre si quem seria capaz de colher mais frutos.
Amarinharam pelo tronco e com paus dobraram os ramos mais altos dos quais muitos se partiram com o peso, todos queriam provar aquelesfigos deliciosos e, por isso, pouco tempo depois, a pobre figueira estava destruída com todos os ramos partidos."

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© JJCN

O JJCN vem aqui de vez em quando fazer-me companhia a exemplo de muitos de vós. Ele gosta de fotografia mas vai muito mais longe do que eu, passa à acção. Achei que era chegado o momento de mostrar alguns dos seus trabalhos e aviso já que não são só pássaros :)
"Observo a imensidão do mundo, Imagino a imagem retratada, Pressiono o botão a fundo, Registo um momento do nada. Procuro algo escondido, Traços sem definição, Prolongamento espiritual, Impresso na minha mão. Cores suaves ou berrantes, Pinceladas irreais, Súbitos apelos incessantes, Experiências banais. © JJCN........"
Obrigada Joaquim
Podem-no ver aqui http://jjcn07.blogspot.com/
e depois explorarem os outros sites onde tem os seus trabalhos nomeadamente o OLHARES e no MIL IMAGENS.

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Jonhn Day e a Paixão pelas Orquídeas

Um homem com uma paixão pintou centenas de aguarelas com orquídeas que haviam sido descobertas recentemente e extasiavam a sociedade Victoriana na época. Bonitas, elegantes, exóticas , exuberantes estas ilustrações foram seleccionadas e 280 delas deram origem a um livro fascinante "A Very Victorian Passion: The Orchid Paintings of John Day" .

Podem ver mais aqui
http://www.kew.org/exhibitions/johnday/galleries/
http://www.kew.org/exhibitions/johnday/galleries/index.html







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ECLECTIC AB CD PHOTOGRAPHY
Matylda Lempel-Chareza


Em fundo preto...

http://www.pbase.com/tygrys50

Tenho o nome de uma flor
quando me chamas.
Quando me tocas,
nem eu sei
se sou água, rapariga,
ou algum pomar que atravessei.
Eugénio de Andrade
Sei que estou vivo e cresço sobre a terra.
não porque tenha mais poder,
nem mais saber, nem mais haver.
Como lábio que suplica outro lábio,
como pequena e branca chama de silencio,
como sopro obscuro do primeiro crepúsculo,
sei que estou vivo,
vivo sobre o teu peito,
sobre os teus flancos,
e cresço para ti.

Eugénio de Andrade

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.
Eugénio de Andrade

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Ilusões Ópticas

Como hoje é Domingo deixo-lhes aqui para se entreterem o site do blog mais completo que conheço com ilusões ópticas.

É como na farmácia há de tudo! :O)

http://amazingillusions.blogspot.com/

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Jeanette Pasin-Sloan
Nasceu em Chicago em 1946. Os seus óleos, acrílicos e aguarelas apresentam-nos objectos diários com imagens distorcidas, cores brilhantes , reflexos , contrastes que fazem o vulgar tornar-se invulgar. Um quase foto-realismo mas com tendências abstractas como podem verificar no site .
Hoje não há bules mas há canecas para os apreciadores de café. Sirvam-se e tenham um bom dia.




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FÁBULAS DE LEONARDO DA VINCI

"A Língua mordida pelos dentes

Era uma vez um rapaz que tinha o vício de falar mais do que devia.
- Que língua! – Suspiravam, um dia, os dentes. - Nunca está quieta! Nunca se cala!
- Que estão vocês a murmurar? – Replicou a língua com arrogância. –Vós, os dentes, não sois mais do que servos unicamente encarregados de mastigar os alimentos que eu escolho. Entre nós não há nada em comum e não vos permito que se metam nos meus assuntos.
Deste modo, o rapaz continuava a dizer coisas que não vinham a propósito, enquanto a língua, feliz, conhecia todos os dias novas palavras.
Um dia, o rapaz depois de ter feito uma tolice autorizou que a língua dissesse uma grande mentira. Mas os dentes, obedecendo ao coração, morderam-na.
A língua ficou corada de sangue e o rapaz, arrependido, corou de vergonha.
Desde aquele dia a língua tornou-se cautelosa e prudente e antes de falar pensava duas vezes."

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Montagens Fotográficas

Peter L. Hammond


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Sábado, Fevereiro 17, 2007

Mais um pouco de .... Marguerite Yourcenar e O Homem Obscuro

"O tempo, então, deixou de existir. Era como se tivessem apagado os números do mostrador de um relógio, e o próprio mostrador esmaecesse como a Lua no céu, em pleno dia. Sem relógio (o que havia na casita já não trabalhava e de algibeira nunca tivera nenhum), sem calendário dos pastores pendurado na parede, o tempo passava como um relâmpago ou então durava eternidades. Nascia o Sol, e desaparecia, num sítio um poucochinho diferente do da véspera, um pouco mais cedo todas as noites, um pouco mais tarde todas as manhãs. A madrugada e o crepúsculo eram os únicos acontecimentos de monta. Entre eles algo corria que não era o tempo, mas a vida. As fases da Lua já não interessavam, salvo quando era Lua Cheia, e a areia à noite brilhava de branca. Já não se lembrava muito bem dos nomes e dos desenhos das constelações, que soubera de cor no tempo em que o piloto de Tétis sepunha à capa guiado pela Aldebarã ou pelas Plêiades, mas isso pouco importava de qualquer modo, eram fogos incompreensíveis ateados no céu. A s nuvens ou os bancos de nevoeiro escondiam quase sempre partedelas; ou ei-las que reapareciam, quais perdidas amigas. Antes que o agravamento da doença lhe roubasse aos poucos o ânimo para gostar apaixonadamente de qualquer coisa, continuava a gostar apaixonadamentedo mar. O mar, aqui, parecia ilimitado, todo-poderoso o escuro da noite no mar prolongava em todos os sentidos o escuro da noite na ilha. Saindo às vezes de casa em plena escuridão, em que apenas se divisava confusamente a massa mole das dunas e, pela aberta, o branco encrespado do mar, despia a roupa e deixava-se penetrar por aquele negrume e aquela brisa quase morna. Mais não era, então, do que uma coisa entre as demais. Não saberia dizer porque é que esse contacto da sua pele com a escuridão o perturbava tanto como outrora o amor."

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Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007



Devagar, devagarinho, quase parado...










Várias dezenas de filmagens de objectos dos mais diversos em câmera lenta
http://www.visionresearch.com/index.cfm?sector=htm/app&page=gallery

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Anne Bachelier

O mundo inventado de Anne é evocador de sentimentos que são ao mesmo tempo poderosos, tranquilos, protectores. O mundo da eterna transformação e da regenação.

http://www.artwebsunion.fr/artiste.php?num=1
http://www.cfmgallery.com/artists/Bachelier/MixedMedia.html
http://www.cfmgallery.com/artists/Bachelier/Oils.html
http://www.cfmgallery.com/artists/Bachelier/2006Variation.html

Edição especial Alice no País das Maravilhas
http://www.cfmgallery.com/artists/Bachelier/pages/Alice/Alice%20Portfolio.htm







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Marguerite Youcenar
Um Homem Obscuro

..."De momento, a ilha inspirava suficiente confiança às aves para queelas ali se albergassem. Através da vidraça constantemente embaciadapela areia, via-as Natanael juntarem-se aos milhares num recôncavo dasdunas, todas elas cientes de que tinham que arrostar com o temporal e,ao mesmo tempo, enfrentá-lo; tinham que poupar forças e virar a cabeçapara o lado do vento, para que a aragem forte lhes não levantasse aspenas, assim, mudas e em boa ordem como um exército cercado. Quando aborrasca acalmou o suficiente para ele se atrever a sair, arrastou-seNatanael pelo chão pelo chão, mais do que andou, até ao poiso dasaves. A maior parte já andava pelos céus, a planar lá muito em cima,agradadas, ao que parecia, desse volteio que consiste em se deixararrastar pelo vento ou ser impelido por ele. As roucas gaivotas jáandavam à pesca. Mergulhando o bico naquele caldo pesado e lamacento,carregado de detritos nos sítios onde a vaga raspara o fundo. Cercetascalmas e miudinhas vogavam sem custo no dorso dos vagalhões, para logodescerem, no quebrar da onda. Alguns grupos mais tímidos haviam-sedeixado ficar, em silêncio. Natanael a rastejar pela areia não asincomodava. No outro extremo do porto que lhes servira de abrigo, viuele uma gaivota cinzenta de asas a bater. Não perfeitamente adulta, atentar na plumagem, porém morta. As asas inertes não obedeciam já auma volição vinda da cabeça ou do peito emplumado, antes cediampassivamente à vontade indigente do vento. Virou-a Natanael com ocajado. Mais não era, aquela coisa, do que a forma de um pássaro: avida que ali estivera, já não estava. À noite, no seu abrigo, ondealumiara uma candeia para se sentir menos só, apoiado num cotovelodurante um daqueles seus ataques de tosse, quedou-se a olhar vagamentepara uma mosca moribunda que, na vidraça que já não tremelicava nocaixilho, zumbia, enganada por aquela réstia de luz e de calor, deencontro ao vidro intransponível" ...

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Dean Eades

Destaco a galeria - Birds of Lincolnshire & Uk - para alguns chegou a hora da paparoca :)
http://www.pbase.com/dean_eades/birds&page=all







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Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas

outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho
da noite os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

Al Berto

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